Growatt Erro 110: Tensão de Rede Fora do Limite
O Growatt Erro 110 indica que o inversor detectou a tensão da rede CA fora dos limites configurados — por excesso ou por falta. O equipamento para de injetar energia e fica parado. Às vezes retorna sozinho em minutos. Às vezes fica parado indefinidamente, dependendo do que está causando o problema.
Na nossa bancada, esse erro chega com frequência depois de uma sequência que quase sempre se repete: a rede foi verificada, a tensão parecia normal, o técnico ampliou os limites de tensão no menu do inversor, o equipamento voltou a funcionar. Três semanas depois, o inversor parou de vez e chegou até nós com o circuito de medição danificado além do ponto de reparo simples. O ajuste de parâmetro postergou o diagnóstico e agravou o dano.
O que causa o Growatt Erro 110
O circuito de monitoramento de tensão CA dos inversores Growatt é baseado em um divisor resistivo que escala a tensão da rede para faixas compatíveis com o ADC do microcontrolador da placa de controle. A leitura é contínua — o inversor monitora ciclo a ciclo e compara o valor medido com os limites definidos internamente. Esses limites seguem a ABNT NBR 16149 e os parâmetros da Resolução ANEEL 1.000/2021, que estabelecem como faixa adequada 187V a 242V para redes nominalmente 220V.
Quando a tensão medida sai dessa faixa, a proteção atua e o Erro 110 é gerado. O que varia de um caso para outro é se a tensão realmente saiu do limite ou se o circuito de medição está lendo errado.
Causas externas — rede elétrica:
- Sobretensão por penetração solar elevada: em condomínios e bairros com muitos sistemas fotovoltaicos, a injeção coletiva eleva a tensão da rede no intervalo das 10h às 14h — o inversor enxerga valores acima de 242V mesmo que o medidor da concessionária marque normal.
- Transformador de distribuição com tap incorreto ou sobrecarregado: recorrente em redes rurais do Norte e Centro-Oeste, onde a infraestrutura de distribuição não acompanhou o crescimento da carga.
- Queda de tensão por cabeamento CA subdimensionado no ramal entre o inversor e o ponto de entrega — erro de projeto que gera undervoltage localizado.
- Transitórios de rede: manobras da distribuidora, religamentos automáticos, partida de cargas pesadas em instalações vizinhas.
Causas internas — circuito de medição:
- Resistores do divisor de tensão CA com valor desviado por drift térmico. Um resistor SMD de precisão que derivou 3 a 5% já é suficiente para deslocar a leitura além do limiar de proteção.
- Capacitores de desacoplamento no filtro de amostragem do ADC com ESR elevada. Introduzem ruído na leitura — o microcontrolador lê picos que não existem na rede.
- Resistência de contato em conector do circuito de medição, por oxidação ou mal encaixe.
- Defeito no canal do ADC da placa de controle. Raro, mas acontece em inversores que já sofreram surto de rede sem dano visível no estágio de potência.
Como identificar na prática

Separar causa externa de causa interna segue uma lógica direta: medir o que o inversor está medindo e comparar com a realidade.
- Medir a tensão CA no terminal de entrada do inversor com multímetro calibrado durante o horário em que o erro ocorre. Tensão real entre 187V e 242V com o inversor acusando Erro 110 aponta para causa interna.
- Monitorar a tensão por 24 horas com datalogger ou multímetro com função max/min. O Erro 110 costuma ser intermitente — a tensão sai do limite por minutos, não por horas contínuas.
- Correlacionar o horário do erro com o padrão de geração solar local: ocorrências concentradas entre 10h e 14h em redes com alta penetração fotovoltaica sugerem sobretensão por injeção coletiva. Erros noturnos ou ao amanhecer apontam para oscilação da concessionária ou defeito interno.
- Comparar a leitura do display do inversor com a medição real do multímetro no momento do erro. Divergência acima de 5V indica circuito de medição com defeito.
- Na bancada: medir os resistores do divisor de tensão CA com o equipamento desligado e desconectado da rede. Comparar com o valor marcado no componente ou com o datasheet do modelo Growatt. Desvio acima de 2% em resistores de precisão é critério de substituição.
- Medir ESR dos capacitores do filtro de amostragem. Capacitores de 100nF a 10µF com ESR acima de 0,5Ω merecem troca preventiva.
Sinais físicos que ajudam na inspeção visual: resistores SMD com leve escurecimento no verniz ao redor indicam operação prolongada acima da temperatura nominal. Micro-fissuras em trilhas próximas ao conector do circuito de medição também são indicativo.
O erro mais comum do mercado
O técnico mede a tensão no ponto de instalação, encontra 221V, conclui que a rede está normal e encaminha o inversor para substituição ou para bancada sem diagnóstico específico do circuito de medição.
Na bancada, o inversor funciona. Volta para o cliente. O erro retorna.
Porque ninguém monitorou a tensão ao longo do tempo. Porque o circuito de medição nunca foi verificado.
A segunda variante é pior: o parâmetro de tensão no menu do inversor é alargado para 175V–265V. O erro some. O inversor passa a operar fora dos limites normativos da ABNT NBR 16149 e da ANEEL, exposto a tensões que o projeto não previu. Em instalações com sobretensão recorrente, isso acelera a degradação dos capacitores do barramento CC e aumenta o estresse sobre os IGBTs ao longo do tempo.
O Erro 110 foi o inversor tentando se proteger. Silenciar o alarme sem entender a causa não resolve nada.
Quando o reparo é viável
Se a causa for externa — rede realmente fora do padrão — o inversor não precisa de reparo. O caminho é documentar as ocorrências com medições registradas, notificar a distribuidora (a Resolução ANEEL 1.000/2021 prevê procedimento específico para reclamação por tensão inadequada) e, se a instabilidade for recorrente, avaliar instalação de protetor de tensão CA na entrada.
Se a causa for interna, a viabilidade depende do ponto de falha:
- Resistores do divisor desviados: substituição direta, custo de componentes abaixo de R$ 30. Viável em praticamente todos os casos.
- Capacitores degradados no filtro de amostragem: troca com inspeção simultânea do canal ADC. Custo baixo, reparo viável.
- Conector com resistência de contato elevada: limpeza, reflow ou substituição do conector — frequentemente sem troca de componente ativo.
- Defeito no ADC ou microcontrolador da placa de controle: avaliação caso a caso. Em vários modelos Growatt, a placa de controle é modular, e sua substituição individual custa fração do preço de um inversor completo.
Um inversor Growatt de 5 kW novo está entre R$ 2.800 e R$ 4.500 no mercado atual. Um reparo no circuito de medição raramente passa de R$ 600, incluindo componentes e mão de obra especializada. A conta é simples.
Conclusão
O Growatt Erro 110 é proteção funcionando, não falha fatal. A questão é identificar o que acionou essa proteção.
Medir a tensão real da rede ao longo do dia e comparar com o que o inversor está lendo é o primeiro passo. Se a rede está fora do padrão, o problema não está no inversor. Se a leitura interna diverge da medição real, o circuito de medição está com defeito.
Ajustar parâmetro de tensão sem fazer esse diagnóstico é chute com consequência.
Envie seu inversor para diagnóstico
Antes de comprar equipamento novo, envie para a nossa bancada. A TEC Solar realiza diagnóstico eletrônico completo em nível de componente — abrimos o inversor, medimos a placa, identificamos a causa raiz e entregamos um laudo técnico detalhado.
Se o reparo for viável, você recebe o equipamento funcionando por uma fração do custo de substituição. Se não for, o laudo serve de base para qualquer decisão.
Atendemos todo o Brasil via logística reversa.
