ABB F018: Temperatura Alta — ventilador ou dissipador com defeito
O erro ABB F018 sinaliza que a temperatura interna do inversor ultrapassou o limite de proteção configurado de fábrica. A lógica parece direta: está quente demais, o equipamento desliga para proteger os IGBTs. O que o display não informa é o que gerou esse calor — e essa omissão é exatamente onde o diagnóstico começa.
Na nossa bancada, o F018 chega de duas formas distintas. A primeira é o inversor que para durante o pico de geração, reseta sozinho à noite e volta a falhar no dia seguinte — padrão típico de ventilador com rolamento degradado ou dissipador parcialmente bloqueado. A segunda é o inversor que entrou em proteção térmica e não volta mais, mesmo com temperatura ambiente normal: nesse caso, o calor acumulado já causou dano nos componentes internos.
Diferenciar os dois cenários antes de qualquer intervenção é o passo que o mercado pula.
O que causa o F018 no ABB
O código F018 — presente nas séries TRIO e PRO da ABB (TRIO-5.8-TL, TRIO-7.5-TL, TRIO-8.5-TL, TRIO-10.0-TL, PRO-33.0-TL, entre outros) — é acionado quando o termistor NTC instalado sobre o módulo IGBT ou na base do dissipador detecta temperatura acima do limiar de desligamento, tipicamente entre 85°C e 90°C dependendo do modelo.
Quatro causas concentram a maioria dos casos que chegam até nós:
Falha do ventilador interno. Os modelos TRIO utilizam ventiladores axiais de 12 V ou 24 V DC controlados por sinal PWM a partir do DSP da placa de controle. O rolamento desgasta com os ciclos térmicos anuais, a resistência de atrito aumenta, a rotação cai progressivamente — e o inversor continua operando com resfriamento insuficiente, sem nenhum alarme de velocidade, até que o NTC dispara o F018. Um ventilador com rolamento mecanicamente travado é o cenário mais simples de identificar. Um ventilador girando a 60% da rotação nominal é o que passa despercebido por meses.
Degradação da pasta térmica entre IGBT e dissipador. A pasta à base de silicone usada na montagem original seca, racha e perde condutividade térmica com os ciclos de aquecimento e resfriamento ao longo dos anos. A resistência térmica na interface aumenta, o IGBT começa a operar 10°C a 20°C acima do normal — e o F018 passa a aparecer com carga alta, mesmo com o ventilador funcionando em rotação plena.
Dissipador com aletas bloqueadas. Poeira compactada, restos de insetos e material orgânico nas aletas reduzem drasticamente a passagem de ar. Em instalações próximas a áreas agrícolas no interior do Brasil — onde o pó fino da colheita mecanizada de cana ou soja se deposita em semanas — o bloqueio pode ser quase total antes que qualquer manutenção preventiva seja feita.
Falha no driver do ventilador na placa de controle. Quando o transistor ou CI responsável pelo acionamento do ventilador falha, o ventilador para independentemente do estado mecânico do motor. O F018 passa a aparecer mesmo com ventilador novo instalado, o que leva o técnico a suspeitar de defeito na placa inteira — quando o problema é um único componente de acionamento.
Existe ainda a possibilidade de leitura falsa por NTC derivando ou com contato intermitente: o F018 dispara com temperatura real dentro do especificado. Menos frequente, mas precisa ser descartada antes de qualquer conclusão.
Como identificar na prática

O padrão horário do erro é o primeiro dado relevante. F018 aparecendo sistematicamente entre 10h e 15h, com o inversor voltando à noite, aponta para causa térmica real — calor excedendo a capacidade de dissipação. F018 em horário irregular, sem correlação com irradiância alta, sugere problema no NTC ou no driver de ventilador com comportamento intermitente.
Em campo:
- Coloque o ouvido próximo ao inversor durante operação normal — ventilador funcionando é audível nos modelos TRIO; ausência de som com geração em carga média é sinal de alerta imediato
- Meça a tensão no conector do ventilador com o inversor em operação: deve estar dentro da tensão nominal (12 V ou 24 V), estável, sem flutuação
- Inspecione visualmente as aletas do dissipador — mesmo por fora da carcaça, detritos acumulados nos canais de ar já indicam necessidade de limpeza
- Com pirômetro IR ou termopar, meça a temperatura da carcaça traseira onde o dissipador está montado: acima de 60°C com carga média aponta para dissipação comprometida
- Verifique o histórico de alarmes pelo ABB Solar-Log ou via interface local — F018 repetidos com intervalo regular revelam o padrão de progressão
- Na bancada, com o inversor desmontado: inspecione a pasta térmica visualmente (pasta esbranquiçada, com fissuras ou ressecada está degradada); meça o Rds-on dos IGBTs e compare com os valores nominais do datasheet
Um ventilador parado que manteve o inversor operando por semanas pode ter aquecido os IGBTs próximo ao limite de segurança sem destruí-los. Ou pode ter passado desse limite.
O erro mais comum do mercado
O que a gente vê é a troca do ventilador sem avaliação da pasta térmica e das condições do dissipador.
O resultado é previsível: ventilador novo instalado, inversor volta a operar, o F018 ressurge em dias ou semanas. A resistência térmica na interface IGBT-dissipador continua alta. A temperatura volta a subir nos picos de geração, o cliente reclama novamente, e o técnico começa a suspeitar de defeito no inversor ou no ventilador recém-colocado.
A pasta térmica é consumível. Em inversores com 5 a 7 anos de operação, a substituição faz parte do protocolo de intervenção — não é opcional a considerar depois. O material custa alguns reais. O impacto na temperatura de junção do IGBT pode ser de 8°C a 15°C de diferença real. A omissão desse passo tem custo direto, e aparece na bancada eventualmente.
Quando o reparo é viável
Ventilador com rolamento travado: substituição por equivalente mecânico com mesma tensão de operação, dimensões e fluxo de ar. Os ventiladores das séries TRIO têm equivalentes disponíveis no mercado por R$ 80 a R$ 250. Vida esperada do substituído, com pasta térmica renovada e dissipador limpo: 5 a 8 anos dependendo do ambiente de instalação.
Driver do ventilador com defeito na placa de controle: depende do circuito. Pode ser um transistor NPN simples, um CI de controle de motor ou um relé de sinal. Se o componente é identificável e disponível, o reparo é consideravelmente mais barato que a troca da placa inteira. Se o dano se alastrou para traços e componentes adjacentes, a análise se estende.
IGBTs com dano por exposição térmica repetida: Vce(sat) acima do nominal, fuga de gate ou curto entre emissor e coletor são os sinais de dano permanente. IGBTs são substituíveis quando o par correto está disponível e o matching de ganho é feito — o equilíbrio de corrente entre módulos do mesmo inversor depende disso.
Inversores ABB TRIO na faixa de 5 a 10 kW custam entre R$ 4.500 e R$ 8.000 no mercado atual. Uma intervenção completa — ventilador, pasta, limpeza do dissipador e, quando necessário, reparo do driver — fica abaixo de R$ 800 na maioria dos casos que chegam até nós. A viabilidade financeira existe. O laudo é que define se os componentes ainda permitem aproveitá-la.
Conclusão
O F018 tem resposta técnica. Não é código para condenar o inversor sem abrir.
O que chega até nós com frequência são equipamentos já substituídos, embalados, com a etiqueta de “defeito irreparável” — e a bancada encontra pasta térmica ressecada, ventilador mecanicamente parado, IGBT ainda dentro do especificado. O inversor poderia voltar a operar por mais anos.
Antes de comprar equipamento novo, vale o diagnóstico.
Envie seu inversor para diagnóstico
Antes de comprar equipamento novo, envie para a nossa bancada. A TEC Solar realiza diagnóstico eletrônico completo em nível de componente — abrimos o inversor, medimos a placa, identificamos a causa raiz e entregamos um laudo técnico detalhado.
Se o reparo for viável, você recebe o equipamento funcionando por uma fração do custo de substituição. Se não for, o laudo serve de base para qualquer decisão.
Atendemos todo o Brasil via logística reversa.
