Sungrow Err 026: Corrente de Fuga CC — Cabeamento CC com Defeito
O Sungrow Err 026 aparece no display, o inversor desliga e o instalador fica preso entre dois caminhos ruins: refazer toda a fiação CC ou trocar o equipamento. Nenhuma das duas decisões tem base sem medir o isolamento.
Na nossa bancada, esse código chega com uma história bem conhecida. O técnico desligou e ligou o inversor algumas vezes, o erro voltou, e alguém concluiu que era placa com defeito. O equipamento viaja 150, 200 quilômetros. A gente abre, mede, e o circuito interno está íntegro. O problema estava do lado de fora, no cabeamento CC.
É um padrão recorrente. E tem um custo alto — não só financeiro.
O que causa o Err 026
O inversor Sungrow possui um circuito de proteção chamado GFDI — Ground Fault Detection and Interruption. Ele mede continuamente a diferença entre a corrente que sai pelo polo positivo e a que retorna pelo negativo de cada string. Quando essa diferença supera o limiar configurado, o inversor reconhece que existe um caminho de fuga não controlado e interrompe a geração.
O comportamento é correto. Corrente de fuga no circuito CC representa risco real de incêndio e choque elétrico — especialmente em sistemas instalados em telhados de fibrocimento, onde o fogo se propaga sem barreira.
As causas mais frequentes que chegam até nós:
- Isolamento de cabo CC degradado por exposição prolongada ao UV ou pelo calor acumulado em telha de barro e fibrocimento no verão do centro-oeste e nordeste
- Conector MC4 com crimpagem deficiente ou com infiltração de umidade — comum no interior de Minas Gerais e nas regiões com chuvas concentradas entre outubro e março
- Caixa de junção do painel com vedação comprometida — o silicone envelhece, a entrada de água cria um caminho condutivo entre a célula e o frame aterrado
- Painel com microfissura interna expondo célula ao frame metálico, muitas vezes sem sinal visual externo
- Cabo CC instalado em contato direto com trilho metálico sem proteção adequada — o atrito por dilatação térmica corrói o isolamento gradualmente ao longo dos anos
- Dano por transitório de tensão (descarga atmosférica próxima) que deteriorou o isolamento internamente sem deixar marca visível no exterior do cabo
Essa última causa é subestimada no mercado. Você inspeciona o cabo, parece normal. O megôhmetro conta outra história.
Como identificar o ponto de fuga

Antes de conectar qualquer instrumento ao inversor, desconecte o string pelo conector MC4 do próprio equipamento.
- Com multímetro em modo tensão CC, meça entre o polo positivo da string e o PE (terra). Repita para o polo negativo.
- Leitura acima de 5 V já indica presença de corrente de fuga. Acima de 20 V, o ponto de fuga está nessa string.
- Com megôhmetro em 500 V CC, meça a resistência de isolamento entre cada string e o PE. O valor mínimo aceitável pela IEC 62109-2 é 1 MΩ, mas qualquer resultado abaixo de 10 MΩ já indica degradação real — não espere atingir o limite crítico para agir.
- Para localizar o painel específico, desconecte os módulos um a um e repita a medição a cada remoção.
- Inspecione todos os conectores MC4 em campo. Os pontos críticos são as emendas junto ao trilho e os pontos onde o cabo dobra abaixo dos painéis.
- Verifique cada caixa de junção: escurecimento interno, oxidação nos diodos de bypass ou sinal de umidade confirmam caminho de fuga pelo frame.
- Se nenhum painel e nenhum trecho de cabo apresentar resistência de isolamento abaixo de 10 MΩ, reconecte ao inversor e monitore. Se o Err 026 retornar imediatamente, existe a possibilidade de deriva no sensor de corrente de fuga interno.
Só chegando a esse sétimo passo é que o problema passa a ser do inversor — e não antes.
O erro mais comum do mercado
O técnico reconecta os cabos ao inversor sem ter feito nenhuma medição de isolamento. O erro volta, ele conclui “placa com defeito” e o equipamento vai para substituição.
O segundo erro mais frequente: testar com multímetro no modo resistência. O multímetro comum aplica no máximo 9 V durante essa medição. Para um cabo dimensionado para 1.000 V CC, essa tensão não estresa o isolamento o suficiente para revelar um defeito incipiente. O megôhmetro aplica 500 V ou 1.000 V de teste — aí a fuga aparece.
Diagnosticar sem o instrumento correto não é diagnóstico. É chute.
Um megôhmetro básico custa entre R$ 300 e R$ 800. Um inversor Sungrow novo começa em R$ 2.500 e pode passar de R$ 12.000 nos modelos trifásicos.
Quando o reparo é viável
Se o problema está no cabeamento ou nos conectores, o inversor está íntegro. A solução é substituição dos trechos danificados — custo de material e mão de obra de campo, sem necessidade de bancada.
Se o isolamento de todas as strings estiver dentro dos parâmetros e o erro persistir, as hipóteses internas são:
- Sensor de corrente com deriva de calibração: recalibração ou substituição do componente na placa — viável, custo baixo
- Capacitor de filtro com fuga: troca do componente — viável, custo de componente
- Circuito GFDI com dano mais amplo causado por transitório de tensão: diagnóstico em nível de componente define o escopo real
A maioria desses reparos fica entre 20% e 35% do preço de um inversor novo. Mas sem medir o isolamento do campo primeiro, qualquer decisão de troca não tem fundamento técnico.
Conclusão
O Err 026 não significa que o inversor falhou. Significa que ele detectou um caminho de fuga no circuito CC — e fez exatamente o que foi projetado para fazer.
Medir antes de concluir.
Envie seu inversor para diagnóstico
Antes de comprar equipamento novo, envie para a nossa bancada. A TEC Solar realiza diagnóstico eletrônico completo em nível de componente — abrimos o inversor, medimos a placa, identificamos a causa raiz e entregamos um laudo técnico detalhado.
Se o reparo for viável, você recebe o equipamento funcionando por uma fração do custo de substituição. Se não for, o laudo serve de base para qualquer decisão.
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