WEG E012: Temperatura Elevada no Inversor WEG — Ventilador ou Falha Interna?
O WEG E012 aparece no display, o inversor desliga, e a primeira suspeita do técnico quase sempre recai sobre a placa de controle ou sobre os IGBTs. Raramente sobre o ventilador. É aqui que o diagnóstico começa a sair caro antes mesmo de abrir o equipamento.
Na nossa bancada, esse erro chega com um padrão repetido: o inversor funcionou bem por dois ou três anos, começou a desligar nos horários de pico de irradiação e, depois de algumas semanas sendo resetado no campo, parou definitivamente. O técnico conclui que é defeito eletrônico grave. A gente abre, liga o ventilador diretamente na bancada — e ele não gira. Problema de R$ 150, tratado como inversor perdido.
Não é raro. É rotina.
O Que Causa o Erro E012
O código E012 na linha WEG SIW indica que o sensor de temperatura do dissipador de calor registrou valor acima do limite de proteção, tipicamente entre 85°C e 90°C dependendo do modelo. Quando esse limiar é atingido, o inversor interrompe a geração antes que os IGBTs entrem em região de operação insegura — o que poderia causar falha catastrófica no estágio de potência.
O sistema de refrigeração forçada é o ponto de partida do diagnóstico. O ventilador DC, controlado por PWM a partir da placa de controle, é responsável por mover o ar sobre as aletas do dissipador onde os módulos IGBT estão montados. Quando esse fluxo cessa ou cai abaixo do necessário, o calor gerado se acumula até acionar a proteção.
As causas mais frequentes que chegam até nós:
- Ventilador com rolamento travado ou em fase terminal — gira com dificuldade ou não gira, sem alarme prévio
- Bobina do motor do fan queimada por tensão fora de especificação no circuito de alimentação
- Dissipador com acúmulo compactado de poeira entre as aletas, bloqueando o fluxo de ar — especialmente crítico em instalações rurais no cerrado e na região semiárida, onde a quantidade de material particulado é alta
- Pasta térmica ressecada ou fissurada na interface entre os módulos IGBT e o dissipador — degradação esperada após 4 a 5 anos de ciclagem térmica
- Sensor NTC com deriva de leitura, acionando E012 mesmo com temperatura real dentro dos limites
- Temperatura ambiente acima da faixa operacional do inversor (acima de 40°C), situação comum em armários metálicos fechados instalados ao sol no norte de Minas Gerais e em Goiás, onde o verão empurra o ambiente interno do painel para 50°C ou mais
- IGBTs com degradação parcial, operando com resistência Rds(on) elevada e gerando mais calor do que o projeto previa
Quando a temperatura real está alta, o inversor está se protegendo de forma correta. Forçar a operação resetando o erro repetidamente sem investigar é garantia de dano permanente ao estágio de potência.
Como Identificar na Prática

O diagnóstico começa antes de ligar qualquer instrumento.
- Com o inversor desligado e resfriado, aplique tensão diretamente no conector de alimentação do ventilador (verifique no esquema do modelo se é 12 V ou 24 V DC). Ventilador que não parte, arranca com dificuldade ou vibra excessivamente está com defeito mecânico ou elétrico.
- Inspecione as aletas do dissipador com lanterna. Poeira compactada entre as lamelas — e não apenas superficial — reduz drasticamente a transferência de calor. Use ar comprimido e meça a resistência ao fluxo antes e depois da limpeza.
- Meça a tensão de alimentação do ventilador com o inversor em operação. Ausência de tensão com o inversor funcionando aponta falha no driver do fan na placa de controle, não no ventilador em si.
- Com multímetro em modo resistência, meça o NTC de temperatura com o inversor frio. O valor típico é 10 kΩ a 25°C — consulte o datasheet do componente para a curva específica do modelo. Leituras muito fora da curva indicam sensor com defeito.
- Aplique um termopar calibrado diretamente no dissipador durante um ciclo curto de operação controlada. Compare a temperatura real com o limiar de disparo registrado no log de erros.
- Inspecione a pasta térmica nas interfaces IGBT-dissipador. Pasta ressecada aparece esbranquiçada, fissurada, ou simplesmente não está mais fazendo contato entre as superfícies.
- Verifique a tensão de saída dos IGBTs com osciloscópio durante a operação. Forma de onda distorcida ou assimetria entre fases pode indicar degradação parcial de um módulo — que vai gerar calor excessivo naquela posição específica.
Em instalações de pivô central no cerrado mineiro ou nas granjas do Triângulo, já recebemos inversores WEG com as aletas completamente seladas por poeira misturada com gordura de motor agrícola. A temperatura real estava quase 30°C acima do registrado em condições normais de campo.
O Erro Mais Comum do Mercado
O técnico chega ao inversor, vê E012, registra “falha de temperatura” no chamado e encaminha para troca. Isso acontece sem verificar o ventilador, sem medir o dissipador, sem checar o sensor.
O segundo equívoco mais frequente: trocar o ventilador sem inspecionar o circuito de controle do fan. Se o driver PWM na placa de controle estiver com o transistor de saída em curto, o ventilador novo vai receber tensão contínua acima da especificação e vai queimar em horas. Trocou o sintoma, não a causa.
E um terceiro, que é estrutural: reinstalar o inversor no mesmo ambiente sem resolver a questão térmica. Armário metálico fechado ao sol, sem exaustão, em região com temperatura de 42°C no verão — nenhum inversor vai sobreviver a isso por muito tempo, independente de marca ou modelo.
Quando o Reparo é Viável
A resposta depende diretamente do que causou o E012:
Ventilador com defeito ou dissipador sujo: reparo altamente viável. Custo de componente baixo, procedimento direto. O inversor retorna à operação com vida útil restante preservada.
Sensor NTC com falha: viável. Componente acessível, substituição direta. O custo fica entre R$ 20 e R$ 80 dependendo do modelo, mais mão de obra de bancada.
Driver do fan na placa de controle danificado: viável em nível de componente. Transistor ou circuito integrado de controle, identificado com osciloscópio. Custo de peça baixo, mas exige bancada com instrumentação adequada.
IGBTs com degradação parcial por operação prolongada acima da temperatura nominal: viável na maioria dos casos. O ponto crítico é avaliar se os drivers de gate foram arrastados junto — IGBT que operou quente por meses frequentemente causa sobretensão de retorno que danifica o driver. O escopo do reparo pode aumentar.
Placa de controle com dano térmico extenso: depende da extensão. Componentes SMD com dano localizado são reparáveis em nível de componente. Dano em microcontrolador ou memória de configuração muda a equação.
A lógica é direta: se o inversor parou porque a proteção atuou repetidamente (E012 exibido no log, geração interrompida), o dano ainda é limitado. Se o equipamento foi operado com o erro ativo por semanas — o que a gente vê com frequência, quando o técnico reseta no campo sem investigar — o estágio de potência vai mostrar consequências.
Conclusão
E012 não é diagnóstico. É um ponto de partida.
O erro diz que o inversor ficou quente demais. Não diz por quê. E essa diferença custa caro quando a decisão é tomada sem medir nada.
Na maioria dos equipamentos que chegam até nós com esse código, o problema tem origem simples. Mas “simples” só aparece depois de abrir, medir e verificar. Antes disso, é suposição.
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