Solis (Ginlong): Os Erros Mais Frequentes e o Que É Reparável
Os inversores Solis da Ginlong chegam cada vez mais à bancada técnica. Não por serem ruins — chegam porque estão por toda parte.
Desde que a marca ganhou fatia relevante no mercado brasileiro de instalações residenciais e pequenas empresas, o volume de falhas em campo cresceu na mesma proporção. Na nossa bancada, já passaram Solis de praticamente todas as séries — do monofásico de 3 kW ao trifásico de 25 kW. O padrão de falha é consistente o suficiente para reconhecer sem precisar de muita investigação inicial.
O que causa as falhas mais comuns
Os inversores Solis operam com arquitetura de estágio duplo: um conversor CC-CC booster seguido por um inversor CC-CA baseado em IGBTs. Essa topologia é comum nas marcas chinesas de médio porte e distribui o estresse térmico entre dois estágios — mas cria pontos de falha em ambos.
O F01 (Grid Fault) é o erro que aparece com mais frequência nos relatórios de campo. Tensão ou frequência da rede fora dos parâmetros configurados no inversor. Em boa parte dos chamados, o problema está fora do equipamento: oscilação da concessionária, disjuntor mal calibrado na saída ou fiação CA com resistência de contato elevada. Mas há casos onde o relé de grid falhou internamente e o inversor está lendo mal a rede mesmo com ela estável.
O F10 e F11 (Isolation Fault e Residual Current) aparecem juntos com frequência. A causa mais comum é externa — cabo CC com isolamento degradado, conector MC4 oxidado, painel com microtrincas. Quando o técnico verifica todos os pontos externos, isola o campo e o erro persiste, o problema está no varistor (MOV) interno ou no circuito de medição de isolamento da placa de controle.
O F21 (Fan Fault) é o mais simples de resolver, mas o mais perigoso de ignorar. Um ventilador parado por rolamento travado ou driver PWM queimado vai forçar o inversor a limitar potência antes de desligar por sobretemperatura — às vezes sem chegar a exibir o código de fã no display.
O F29 (Relay Check Fault) indica que o relé de saída não comutou corretamente na inicialização. Pode ser o relé com bobina aberta, ou o driver que aciona a bobina com tensão insuficiente. Um multímetro e dois minutos de medição resolvem o diagnóstico.
O F05 (PV Voltage High) quase sempre vem de string mal dimensionada para a temperatura mínima local — problema de projeto, não de hardware. Mas há casos onde o sensor de tensão CC lê valor incorreto por falha no divisor resistivo da placa de controle.
Fora dos erros codificados, existe uma falha silenciosa frequente nos Solis: a fonte auxiliar interna (SMPS) entra em colapso e o inversor simplesmente não inicializa. Display apagado. Tensão CC nos bornes: normal. O equipamento não responde. Esse é o padrão clássico de SMPS com MOSFET ou diodo de saída danificado — e aparece com frequência crescente em equipamentos com mais de quatro anos de operação.
Como identificar na prática

Antes de concluir por defeito interno, a verificação deve seguir esta sequência:
- Medir tensão CC nos bornes de entrada — conferir se está dentro da faixa de operação do modelo
- Verificar tensão e frequência na saída CA com multímetro true RMS
- Testar isolamento do string CC com megôhmetro (mínimo 1 MΩ entre cada polo e o terra)
- Inspecionar todos os conectores MC4: oxidação, crimpagem inadequada, sinal de queima ou infiltração de umidade
- Verificar o ventilador com o equipamento aberto: gira livremente ao impulso manual? Rolamento com folga ou travado?
- Com CC aplicado ao inversor: medir tensão nas saídas da fonte auxiliar (tipicamente 12 V e 5 V internos)
- Display apagado com CC dentro da faixa correta: suspeitar da SMPS antes de qualquer outra hipótese — não partir direto para o estágio de potência
Para o F29, o procedimento é direto: medir resistência da bobina do relé e verificar a tensão de acionamento no driver. Relé com bobina aberta não vai comutar, independente do que o driver estiver fazendo.
Quando é falha eletrônica interna
Os erros F01, F10 e F11 têm causa externa na maioria dos chamados. A proporção muda quando o sistema operou sem falhas por meses e o erro surgiu de forma súbita — isso indica degradação interna, não erro de instalação. Muda também quando o técnico já isolou o campo fotovoltaico fisicamente e o erro persiste no display.
Surtos são a principal causa de dano eletrônico interno nos Solis. A placa de controle, o circuito de medição e o estágio de gate dos IGBTs absorvem o transitório antes que os fusíveis CC atuem — a proteção não reage rápido o suficiente. No Brasil, com alta incidência de raios e qualidade de rede variável por região, esse cenário se repete com mais frequência do que o esperado.
O surto não avisa.
O superaquecimento crônico é a segunda causa mais recorrente. Inversores instalados em locais fechados, sem ventilação adequada, com camada de poeira sobre o dissipador — chegam com IGBT com solda de ball bond rompida ou capacitores de barramento com ESR fora da especificação.
Ainda não existe uma regra universal que diga se o dano é reparável só pelo sintoma. Depende do que você vai encontrar na placa.
Vale a pena consertar?
A Solis tem boa disponibilidade de componentes no mercado nacional. IGBTs das séries mais comuns usam encapsulamentos TO-247 ou módulos discretos com equivalência em fabricantes como Infineon e ON Semiconductor. Relés, capacitores de barramento e MOVs também têm reposição viável.
Um Solis de 5 kW monofásico novo custa entre R$ 2.000 e R$ 2.800. Um reparo completo com troca de IGBT, driver e capacitores de barramento fica entre R$ 600 e R$ 900 — dependendo do que a bancada encontrar.
Para os modelos trifásicos de 10 kW a 25 kW, a lógica favorece ainda mais o reparo. Um trifásico de 15 kW novo pode custar de R$ 8.000 a R$ 12.000. O reparo raramente passa de R$ 2.000, mesmo em falhas severas no estágio de potência.
A exceção são os casos de surto intenso com dano múltiplo simultâneo: placa de controle, estágio de potência e módulo de comunicação atingidos juntos. Nesses casos, o custo de componentes pode superar o ponto de retorno. O laudo técnico serve de base para a decisão — seja para acionar seguro, negociar com o fabricante ou optar pela substituição.
A marca tem potencial de reparo. O que define é o diagnóstico.
Envie seu inversor para diagnóstico
Antes de comprar equipamento novo, envie para a nossa bancada. A TEC Solar realiza diagnóstico eletrônico completo em nível de componente — abrimos o inversor, medimos a placa, identificamos a causa raiz e entregamos um laudo técnico detalhado.
Se o reparo for viável, você recebe o equipamento funcionando por uma fração do custo de substituição. Se não for, o laudo serve de base para qualquer decisão.
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