Deye F23: Falha no Relé de Saída — relé de bypass com defeito, reparo possível?
O erro Deye F23 aparece no display e não vai embora. O inversor para de injetar energia, o cliente liga reclamando, e o técnico que chega ao local não sabe ao certo por onde começar. Parece simples — um relé. Mas o diagnóstico incorreto aqui costuma terminar em troca de inversor quando o problema estava em um componente de R$ 20.
Na nossa bancada, esse código chega com frequência em inversores Deye de 3 a 6 kW, especialmente de regiões com variação de rede mais agressiva — interior de Minas Gerais, Nordeste, áreas rurais com rede precária. O padrão que a gente vê é quase sempre o mesmo: o inversor funcionou bem por meses, a rede oscilou forte, o relé comutou repetidamente em curto intervalo de tempo, e o contato começou a deteriorar. Daí em diante, o F23 é só uma questão de tempo.
O que causa o erro F23 no Deye
O F23 indica falha de detecção no circuito de controle do relé de saída CA. Para entender o que quebra, é preciso primeiro entender o que esse relé faz.
Em inversores on-grid, o relé de saída é o componente que conecta fisicamente o inversor à rede elétrica. Ele fica posicionado entre o estágio de potência e o ponto de conexão com a rede. Quando o firmware detecta condições fora dos limites — subtensão, sobretensão, frequência fora do padrão — esse relé abre e isola o sistema. A norma IEC 62116 exige que esse mecanismo opere em menos de 200 ms; o Deye cumpre isso via firmware combinado com o controle direto do relé.
O que o microcontrolador faz é simples: ele envia um sinal de comando ao relé e espera um sinal de retorno (feedback) confirmando que o contato está na posição correta. Quando esse retorno não corresponde ao comando, o inversor interpreta como falha e gera o F23.
As causas que chegam até nós com mais frequência:
- Contato soldado (welded contact) — arco elétrico durante comutação sob carga funde os terminais metálicos, e o contato não abre mais
- Bobina do relé com circuito aberto — ruptura no fio de enrolamento por fadiga térmica ou sobrecorrente
- Transistor driver do relé em curto — o componente responsável por acionar a bobina queima e o relé perde o comando
- Trilha do circuito de feedback interrompida — corrosão ou dano mecânico na PCB corta o sinal de retorno
- Falso contato no conector da bobina — oxidação nos pinos do JST que alimenta o relé gera leituras inconsistentes
- Mola de retorno fatigada — o contato não retorna à posição aberta mesmo sem sinal de acionamento
Nenhuma dessas causas aparece no display. O F23 só diz que o relé não está onde o firmware esperava.
Como identificar na prática

Com o inversor desligado e desconectado da rede, comece pela inspeção visual.
- Localize o relé de saída CA — em inversores Deye de 3 a 6 kW são geralmente um ou dois relés Omron ou TE Connectivity na região posterior da placa de potência
- Inspecione os terminais de contato: escurecimento, marcas de arco e deformação visual indicam contato soldado
- Meça a resistência da bobina com multímetro — valores abaixo de 5 Ω ou acima de 200 Ω (fora do especificado no datasheet do componente) indicam bobina comprometida
- Teste o relé fora da placa com fonte DC na tensão nominal da bobina (tipicamente 12 V no Deye): clique audível e nítido confirma operação mecânica; ausência de clique confirma bobina aberta ou mola fatigada
- Com o inversor energizado em bancada segura — sem conexão CA à rede — monitore com osciloscópio o sinal de controle do gate do transistor driver: ausência de pulso aponta falha no driver ou no microcontrolador, não no relé
- Verifique continuidade no circuito de feedback: o sinal de retorno sai de um pino do relé e vai até o microcontrolador via resistor pull-up; qualquer interrupção nessa trilha mantém o F23 mesmo com relé novo
- Inspecione o transistor driver (geralmente um NPN de coletor aberto, tipo BC817 ou equivalente SMD) em modo diodo — curto entre emissão e coletor confirma componente queimado
Faro de bancada: se o relé clica mas o erro persiste após a substituição, o problema nunca foi o relé.
O erro mais comum do mercado
O que a gente vê com regularidade é técnico substituindo o inversor inteiro com base no F23, sem ter aberto a placa. O raciocínio é direto: “relé soldado, inversor condenado”. Não funciona assim.
Relé soldado é reparo de bancada. O componente custa entre R$ 8 e R$ 40 dependendo da especificação de corrente. A substituição em nível de placa, em mãos experientes, leva menos de duas horas. Condenar o inversor por isso é um erro técnico e financeiro ao mesmo tempo.
O segundo erro — menos óbvio, mas igualmente custoso — é trocar o relé sem verificar o transistor driver. Se o driver estava queimado, ele vai queimar o relé novo na primeira comutação. O inversor volta ao cliente, funciona dois dias, o F23 retorna. A culpa recai sobre a peça, mas o problema real nunca foi diagnosticado. Não existe reparo correto sem sequência correta.
Quando o reparo é viável
Na maioria dos casos de F23 isolado, sem outros códigos associados, o reparo é tecnicamente viável.
Critérios que definem isso:
- Estágio de potência intacto: ausência de F24, F25 ou códigos de sobrecorrente junto ao F23 indica que os IGBTs provavelmente não foram comprometidos
- Placa de controle sem dano de umidade generalizado: manchas de corrosão extensas na PCB podem indicar comprometimento além do circuito do relé
- Microcontrolador respondendo: se o display funciona e o inversor inicializa normalmente até o ponto de falha, o microcontrolador está operacional — isso pesa a favor do reparo
- Componentes disponíveis: relés com especificação equivalente ao original estão disponíveis no mercado nacional, sem necessidade de importação direta
Inversores Deye de 3 a 8 kW fora de garantia, com F23 como código principal, têm alta taxa de reparo viável na bancada. O laudo define o escopo antes de qualquer investimento.
Conclusão
O F23 trava o sistema completamente e não dá pista sobre o componente específico. Mas na maior parte dos casos, está apontando para um relé, um transistor driver ou uma trilha de feedback — nada que justifique substituir o equipamento inteiro.
A decisão de trocar um inversor de R$ 4.000 sem abrir a placa é uma decisão tomada sem informação suficiente.
Envie seu inversor para diagnóstico
Antes de comprar equipamento novo, envie para a nossa bancada. A TEC Solar realiza diagnóstico eletrônico completo em nível de componente — abrimos o inversor, medimos a placa, identificamos a causa raiz e entregamos um laudo técnico detalhado.
Se o reparo for viável, você recebe o equipamento funcionando por uma fração do custo de substituição. Se não for, o laudo serve de base para qualquer decisão.
Atendemos todo o Brasil via logística reversa.
