Deye F18: Corrente de Fuga CA Alta — Como Localizar o Ponto de Falha
Post 55 — Deye F18: Corrente de Fuga CA Alta — Como Localizar o Ponto de Falha
O Deye F18 é um código de proteção ativo: o inversor detectou corrente de fuga CA acima do limiar permitido e desligou o sistema para evitar risco elétrico. Não é pane. É o circuito de segurança funcionando como foi projetado para funcionar.
O problema começa quando o instalador ou o técnico assume que o inversor está morto e parte direto para a substituição. Esse caminho é caro, frequentemente desnecessário, e não resolve nada se a causa estiver fora do equipamento.
Na nossa bancada, boa parte dos Deye que chegam com F18 tem o cabeamento CA como culpado. Inversores instalados em obras onde o eletricista apertou o grampo de fixação demais, deixou a fiação com dobra forçada dentro da calha metálica, ou usou conector de qualidade duvidosa nas emendas de saída. O inversor está saudável. O isolamento do cabo é que cedeu.
O que causa o F18 no inversor Deye
O circuito interno do Deye monitora continuamente a soma vetorial das correntes nas fases de saída. Num sistema sem fuga, essa soma é praticamente zero. Quando parte da corrente escapa para o condutor de terra (PE) por caminhos não previstos, o desequilíbrio é detectado e o F18 é acionado.
A norma IEC 62109-1 — Safety for power converters for use in photovoltaic power systems — define que inversores devem interromper a operação quando a corrente residual excede 300 mA por mais de 300 ms. O Deye segue esse parâmetro, com faixa ajustável via parâmetro interno de fábrica dependendo da versão de firmware.
As origens mais frequentes do F18:
- Capacitores Y degradados no filtro EMI interno — conectam as linhas de fase ao terra para filtragem de ruído de modo comum. Com ciclos térmicos repetidos, a resistência de isolamento desses componentes cai e a corrente que escapa para o PE aumenta progressivamente. Em inversores com mais de 5 anos de operação em ambiente quente, é a causa mais comum.
- Isolamento do cabo CA danificado — pontos de dobra forçada, compressão por grampos metálicos ou marcas de roedores no cabeamento de saída. Especialmente problemático em calhas metálicas sem aterramento adequado.
- Infiltração de umidade no quadro de distribuição ou caixa de saída CA — água condensada nos terminais cria caminho resistivo entre fase e terra. Inversores no litoral nordestino — Fortaleza, Salvador, Maceió — chegam com esse padrão com frequência nos meses de alta umidade relativa.
- Contaminação interna da placa de potência — poeira condutiva, resíduos de fluxo de solda ou umidade acumulada na placa criam trilhas de fuga que o circuito detecta antes que o dano seja visível ao olho.
- Capacitor X com curto parcial — falha mais severa, pode gerar corrente de fuga acima de 1 A e causar sobreaquecimento em componentes adjacentes se não detectado a tempo.
- Terminais CA soltos ou oxidados na placa de bornes interna — conexão com resistência elevada gera calor localizado, que degrada o isolamento do invólucro plástico do próprio conector.
Isso significa que a fuga pode estar completamente fora do inversor.
Como identificar na prática

Antes de qualquer medição, o inversor precisa estar completamente isolado — CC e CA desligados. O processo de rastreamento vai do externo para o interno:
- Desligar o disjuntor CA de saída do inversor. Isolar fisicamente o lado AC.
- Com megohmmeter em 500 V CC, medir a resistência de isolamento entre cada fase (L1, L2, L3) e o terra (PE), direto nos bornais CA do inversor. Valor aceitável: acima de 1 MΩ. Abaixo de 100 kΩ — fuga severa, continuar o rastreamento.
- Se a medição nos bornais estiver ok, medir nos terminais do quadro de distribuição. Isolar progressivamente cada segmento do cabeamento até identificar qual trecho tem resistência baixa.
- Inspecionar visualmente todos os terminais CA: marcas de carbonização, oxidação nos parafusos, sinal de umidade ou condensação.
- Se a fuga estiver no inversor: abrir o gabinete e inspecionar o módulo de filtro EMI — capacitores Y com barriga, marcas escuras ou odor característico de componente sobreaquecido.
- Medir cada capacitor Y fora do circuito com capacímetro. Verificar resistência de isolamento individual — qualquer capacitor Y com corrente de fuga acima de 100 µA sob 500 V é candidato à substituição.
- Inspecionar visualmente a placa de potência por sinais de contaminação, trilhas com carbonização ou depósito de poeira condutiva.
O sinal que mais frequentemente antecede o F18 é o disjuntor diferencial residual (DR) disparando de forma intermitente, às vezes semanas antes do código aparecer no display. Se o instalador relatar que o DR “às vezes disparava”, a fuga está no sistema há mais tempo do que parece — e pode ter gerado dano secundário.
O erro mais comum do mercado
O inversor chega na bancada com laudo de “defeito interno irreparável”. Abrimos, medimos, e o hardware está intacto. A fuga estava no cabo de saída, num ponto de compressão dentro da calha metálica. Isso acontece mais do que o mercado admite.
Há também quem substitua os capacitores Y sem investigar por que eles degradaram antes do prazo. Se a instalação está em telhado de telha metálica sem isolamento térmico — situação comum no Norte e Nordeste, com temperatura interna facilmente acima de 70°C no pico do verão — os capacitores novos vão durar menos que os originais. Trocar sem resolver a causa é garantia de reincidência.
Quando o reparo é viável
A viabilidade depende de onde a fuga está:
- Fuga no cabeamento externo — troca de cabo ou reposicionamento do segmento com isolamento danificado. Custo de material. Não precisa de bancada.
- Capacitores Y no filtro EMI — reparo de baixo custo. Componentes acessíveis, trabalho de dessoldagem e substituição na placa de filtro. Custo total tipicamente entre R$ 300 e R$ 600, incluindo laudo e teste de bancada.
- Contaminação da placa por poeira ou umidade — limpeza ultrassônica, secagem em estufa e aplicação de verniz conformal. Custo moderado.
- Capacitor X com curto parcial e dano em componentes adjacentes — depende da extensão. Se o curto gerou sobreaquecimento em MOSFETs ou no circuito de gate drive próximo, a análise se expande e o custo sobe proporcionalmente.
- Dano extenso na placa de potência — menos frequente no F18 isolado, mas acontece quando a falha ficou sem diagnóstico por período prolongado.
Um Deye 5 kW fora de garantia custa, no mercado secundário, entre R$ 2.000 e R$ 3.500. O reparo de F18 por capacitores Y fica tipicamente em R$ 400 a R$ 800 com laudo e teste de carga. A diferença compensa o envio via logística reversa.
Conclusão
F18 é proteção ativa, não morte do equipamento. O que determina o custo não é o código de erro — é quanto tempo o sistema ficou com a fuga antes de alguém investigar com um megohmmeter.
Comece pelo cabeamento. Se a fuga não está no externo, aí você abre o inversor.
Envie seu inversor para diagnóstico
Antes de comprar equipamento novo, envie para a nossa bancada. A TEC Solar realiza diagnóstico eletrônico completo em nível de componente — abrimos o inversor, medimos a placa, identificamos a causa raiz e entregamos um laudo técnico detalhado.
Se o reparo for viável, você recebe o equipamento funcionando por uma fração do custo de substituição. Se não for, o laudo serve de base para qualquer decisão.
Atendemos todo o Brasil via logística reversa.
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